Evento acontece nos dias 23 e 24 de julho, e programação inclui Mostra Multilinguagens e Lançamento de Dossiê de Saúde e Justiça Reprodutiva das Mulheres Quilombolas da Bahia
Por Redação Odara
Os números não deixam dúvida: no Brasil, a injustiça reprodutiva tem cor e território. A mortalidade materna entre mulheres negras é 2,3 vezes maior do que entre mulheres brancas, foram 108,6 óbitos por 100 mil nascidos vivos entre mães negras, contra 46,9 entre mães brancas, no período de 2010 a 2023 (Instituto de Estudo para Políticas de Saúde, 2025). Mulheres negras também representam cerca de 66% das vítimas de violência obstétrica. Na gravidez na adolescência, mais de 60% das gestações acontecem entre meninas negras.
É diante desse cenário, em que mulheres negras seguem morrendo por causas evitáveis na gravidez e no parto, e em que as políticas públicas insistem em tratar essas violências como estatísticas periféricas, que o Nordeste se organiza para nos dias 23 e 24 de julho de 2026, realizar o Seminário de Justiça Reprodutiva do Nordeste – Nós por Nós, iniciativa do Odara – Instituto da Mulher Negra, por meio do Observatório de Justiça Reprodutiva do Nordeste
Naira Leite, coordenadora executiva do Instituto Odara, enfatiza a relevância das ações e da incidência do movimento de mulheres negras para expor as injustiças reprodutivas que afetam meninas e mulheres negras no país. “As ações e a incidência que o movimento de mulheres negras tem realizado são importantes e necessárias para visibilizar o conjunto das injustiças reprodutivas que meninas e mulheres negras têm vivido no país. Promover espaços de debate, escuta e troca são fundamentais para construção de estratégias coletivas que promovam mudanças radicais a partir desse cenário.”
O Seminário se constitui como espaço de articulação política, produção de conhecimento, incidência e fortalecimento de redes, um contraponto necessário à lógica que insiste em decidir sobre os corpos das mulheres negras sem elas. A programação abordará temas urgentes que atingem de forma desproporcional as mulheres negras e quilombolas do Nordeste: mortalidade materna, feminicídio, planejamento reprodutivo, gravidez na adolescência, aborto, esterilização, insegurança alimentar e educação integral em sexualidade, entre outros.
“Vivemos um momento em que falar de justiça reprodutiva é reafirmar que meninas e mulheres negras têm o direito de viver com dignidade, autonomia, cuidado e segurança. Significa garantir condições para viver e maternar, se essa for a nossa escolha, em territórios livres do racismo, da violência, da fome e das desigualdades. Ao integrar a agenda do Julho das Pretas, reafirmamos nosso compromisso com o Pacto do Bem Viver, porque não podemos falar sobre justiça reprodutiva sem enfrentar o racismo patriarcal cisheteronormativo”, afirma Luana Souza, Coordenadora do Programa de Saúde do Odara.
O evento reúne públicos diversos: mulheres negras e quilombolas, juventudes e estudantes, pesquisadoras(es), profissionais de saúde e educação, movimentos sociais, coletivos, comunicadoras(es), gestoras(es) públicas(os), artistas e produtoras(es) culturais, reafirmando que a justiça reprodutiva se constrói de forma coletiva e a partir dos territórios.
LANÇAMENTO DE DOSSIÊ DE JUSTIÇA REPRODUTIVA E MOSTRA MULTILINGUAGENS
Dentro da programação do Seminário, acontece o lançamento do dossiê “‘Nós vivemos a mesma realidade’ – Saúde, Cuidado e Justiça Reprodutiva de Mulheres Quilombolas na Bahia”, publicação que reúne dados, vivências e registros das Jornadas de Saúde Quilombola, realizadas pelo Programa de Saúde do Instituto Odara em diferentes territórios quilombolas da Bahia. O dossiê sistematiza experiências e conhecimentos construídos de forma compartilhada com as comunidades, contribuindo para o fortalecimento da justiça reprodutiva, da equidade em saúde e da construção do Pacto do Bem Viver.
Outro momento bastante esperado do evento é a Mostra Multilinguagens em Justiça Reprodutiva, espaço de circulação de conhecimentos, experiências e práticas políticas que rompe com os formatos tradicionais de apresentação acadêmica. A Mostra valoriza as múltiplas formas de produção de saber construídas nos territórios: além de artigos e pesquisas, são aceitos podcasts, documentários, zines, performances, poesia, slam, fotografia, bordado, cartografias e tecnologias comunitárias de cuidado.
Serviço
Seminário de Justiça Reprodutiva do Nordeste – Nós por Nós
Data: 23 e 24 de julho de 2026
Local: Zumví – Arquivo Fotográfico – R. Gregório de Matos, nº 29 – Centro Histórico, Salvador
Inscrições em: https://forms.gle/revhZ6jwHm7431wL7
Realização: Observatório de Justiça Reprodutiva do Nordeste e Odara – Instituto da Mulher Negra


